Ledd [Resenha]

Tormenta sempre foi um cenário muito ativo. Lançado na edição 50 da revista Dragão Brasil, conta com diversos livros de regras, literatura, HQs e até com jogo “O Desafio dos Deuses”. Além disso, é possível ler gratuitamente os mangás 20 Deuses, Khalifor e Ledd no site da Jambô!

Isso mesmo, você pode ler todos os capítulos já publicados nesse link.

Quando eu descobri isso no começo de dezembro, li os 17 episódios de Ledd publicados até então de uma vez. Eu reconheço a fama de Holy Avangers, sendo tratado por algumas pessoas como uma pérola dos quadrinhos nacionais, mas eu considero Ledd uma verdadeira obra prima. O traço, o enredo e a profundidade da história consegue ser melhor que muitos mangás orientais famosos, que tem milhares e milhares de leitores. Vamos falar sobre cada uma dessas coisas.

 

Os personagens

O trio de personagens principais é formado por um cara que perdeu a memória, um mago careca que usa cabelo para fazer magia e uma ladina misteriosa.
A princípio Ledd me pareceu um personagem repetitivo (é ele que perdeu a memória). Quando o personagem foi apresentado, me lembrei do protagonista da história contada em Tormenta RPG entre os capítulos de regras, que não tem nome. Mas a única semelhança entre os dois é essa. Ledd é personagem muito profundo. Você aceita muito bem a falta de memória e as motivações dele, e isso é muito legal porque faz a história fluir. Ele faz o papel do leitor que não conhece Arton e que está explorando esse mundo pela primeira vez.
Temos então Ripp. O mago careca é apresentado como o alívio cômico da revista. Seu carisma é cativante. O simples fato de ter uma característica tão marcante como precisar de cabelo para realizar magias já o faz único. Mas não é só isso. Logo é explorado uma parte mais escura de Ripp, que conversa muito bem com os dois conceitos de Arton: um mundo colorido, cheio de aventureiros e magias mas ao mesmo tempo escuro pela ameaça constante da Tormenta.
Por último temos Drikka. Apesar de ser a personagem feminina do grupo, ela não é usada como ferramenta apelativa pelo autor. Ela se configura como uma personagem forte: com uma história independente e profunda e com uma personalidade única e marcante. Seu background é o fator motivador do primeiro arco de Ledd, que terminou no episódio 16.
Enfim, como deu para notar, Trevisan fez um bom trabalho ao construir cada um dos heróis, junto com a sensacional arte do Lobo que marca com design único cada um dos protagonistas.
Os outros personagens são também fantásticos, tanto os personagens novos desta HQ quanto os personagens que já conhecíamos, como Golinda, a dona do Ganso Afogado.

 

A história e a arte

Entrando nesse assunto, quero parabenizar J. M. Trevisan e Lobo Borges. A história é incrível e marcante, faz você se preocupar com cada um dos heróis. A construção da vilã Nina faz você realmente detestar ela!
O enredo que começa com uma premissa simples se desenrola para um lado totalmente inesperado, que eu não vou comentar muito para não estragar a graça, mas posso garantir que o plot pode ser descrito em uma palavra: excelente.
O traço do mangá nem se fala. É melhor do que muitos mangás orientais que eu já li. Ele conversa com a história, faz parte dela, faz a história fluir através de cada traço. Em determinado momento, o passado de um personagem chamado Colecionador é contado por vitrais. As ilustrações dessas páginas são tão bem feitas que me fizeram ficar olhando por quase meia hora, reparando em cada detalhe. A palavra excelente se encaixa aqui novamente.

 

Conclusão

Não existe nada igual aos mangás produzidos pela Jambô. Nunca fui um grande colecionador de quadrinhos, mas Ledd, mesmo dando a opção de leitura grátis no site da editora, me fez comprar os quatro exemplares já disponíveis aqui (não é jabá, quem dera a Jambô me pagasse pra isso). Eu não penso duas vezes em recomendar Ledd. Aliás, não penso mais duas vezes antes de dizer que é meu mangá favorito. É uma soma de fatores: o fato ser produto de Tormenta, de eu acreditar em cada elogio que dei a obra nesse post e também por ser uma obra nacional.
É isso, para aqueles que se interessaram, boa leitura e até a próxima!

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